Entre um e outro redirecionamento, acabei chegando ao site da Fundação Logosófica. Há muitos anos, participei de uma palestra informativa sobre logosofia e, embora não tenha me inclinado a segui-la, nem por isso me pareceu-me menos interessante.
Navegando pelo site, encontrei um banner que dizia: projeto cultural logosófico. Cliquei. A próxima página dizia: “PREENCHA O FORMULÁRIO E RECEBA GRATUITAMENTE O LIVRO CURSO DE INICIAÇÃO LOGOSÓFICA. Você também pode fazer o download da versão em pdf clicando no botão”.
No entanto, distribuir gratuitamente um livro era algo que me arremetia às distribuições da bíblia na escola ou aos livros de Edir Macedo que eram entregue nas casas.
Receoso, fiz o cadastro. Recebi um e-mail de confirmação informando que em 30 dias eu receberia o livro. Na verdade, demorou bem mais do que isto. Foram exatos 62 dias até que, ontem, finalmente, chegou. Cedo ou tarde, importa que chegue!
Dá pra perceber que o livro é em material “inferior”, embora não seja de má qualidade, pequeno (104 pg) e com boa impressão. Fiquei muito contente em recebê-lo e vou lê-lo atentamente e depois libertá-lo.
Imediatamente, fiquei pensando no mercado livreiro espírita. Será que alguma livraria/editora/federação teria essa disponibilidade? Não seria interessante que ao invés de promoções de livros que há décadas geram fortuna, fossem disponibilizados livros gratuitamente, entregues em casa?
Se fizermos uma conta abstrata aplicando o montante gasto pela FEB para produzir Nosso Lar e direcioná-lo para distribuição de O Livro dos Espíritos, teríamos mais de 1 milhão de livros prontos a serem distribuídos gratuitamente e ainda haveria recursos para custear o envio.
Convido os amigos a encaminharem e-mails para livrarias/editoras/federações, etc. Sugerindo que façam algo do tipo em prol da Cultura Espírita.
O texto a seguir foi publicado, originalmente, em um outro blog que possuia. Caiu no esquecimento. O fato nele narrado já passou. No entanto, penso que constitui interessante material de reflexão.
Uma crença, como a espírita, é carregada de teor moral. Ser espírita, portanto, implica reconhecer esta moral, seus valores. Esforçar-se por pô-los em prática é o exercício que caracteriza o verdadeiro Espírita.
De igual modo, penso que a convicção profunda das idéias espíritas tem, necessariamente, que agregar valor moral aquele que a diz possuir, de modo que, mesmo imperfeito, os traços inferiores desaparecem a medida da própria empreitada. Ao contrário, a crença tem efeito de forma e não de fundo.
No entanto, em algumas pessoas, isto parece não surtir efeito. É o caso de um moderador do Orkut (cujo nome deixarei no esquecimento) que têm dirigido àqueles que pensam de forma diversa à sua, os mais pomposos elogios da ignorância, a saber:
“Entrei no seu perfil, pois estava desconfiado de você.”; “Você não é cabeçudo, é bitolado mesmo.”; “Não perco meu tempo numa polêmica inútil com você, vou direto ao cerne da questão e desmascarar seu caráter presunçoso.”
Entre outros “elogios” que, devido à linguagem chula, não convém postar. Nosso amigo, de certo, age conforme sua natureza e esperar postura além daquela que cada espírito consegue dar, é ingenuidade.
Ele reflete, no entanto, parte do Movimento Espírita que, não possuindo argumentos suficientes para entrar num debate, apelam à pessoa, isto é, desmoralizam o debate em ofensas puramente pessoais.
O trabalhador Espírita deveria ser mais bem preparado antes de assumir qualquer tarefa na Casa Espírita. E, pessoas como o nosso moderador, caso assumissem alguma tarefa, colocariam em risco toda a credibilidade do grupo. É preciso que indivíduos com o comportamento assim fiquem mais tempo centrados no aprendizado que no professoral.
Discutir (debater) deveria ser algo fundamentalmente comum dentro da Casa Espírita. Isto é, trocar idéias, expor opiniões. A crítica (análise) é fundamental no processo de construção do conhecimento. Desta forma, não se pode temer a crítica das nossas idéias, crenças e modelos.
Se quisermos, verdadeiramente, crescer em conhecimento, será preciso despir-se de preconceitos (o que nem sempre é fácil) e estar preparado ao diferente. Aprender com ele ou rejeitá-lo; Sempre, claro, com conhecimento de causa, argumentação eficiente, analítica, fraterna e, principalmente, NUNCA falando à pessoa e, sim, à idéia.
Quanto mais chula for a ofensa, melhor veremos a fragilidade da argumentação.
O filme Nosso Lar é, para mim, o melhor filme Brasileiro. Quando soube que iriam retratar o livro, perguntei: Como vão reproduzir os “lugares”? Cenários? Efeitos especiais?
Neste quesito, sinto-me parcialmente aliviado: Os efeitos especiais de paisagem (não conheço os termos cinematográficos corretos) são lindos. Há poucos efeitos de movimentos, mas foram bem feitos. Algo que me chamou a atenção é a quantidade de luz nas edificações. Tudo parece brilhar e, em contraste com a imagem real dos atores, ainda que os efeitos especiais sejam bons, isso dá uma sensação de artificialidade nos cenários.
Uma das primeiras críticas que vi sobre o filme falava das roupas esvoaçantes e brancas, e o autor brincava dizendo por que o Espírito não se apresentava com outras roupas?
Talvez o crítico tenha cochilado (algumas cenas são um pouco maçantes e me deram sono) e não percebeu as várias cenas em que os habitantes trajavam roupas da época (o que me deixou muito contente) e não somente túnicas embaladas pela brisa...
O começo do filme é feito em estilo vai-e-vem, isto é, intercala passado com o presente, mostrando aspectos da “antiga vida” em conflito com a “nova”. Houve certa demora nestas cenas, mas nada que prejudique a forma de contar o filme.
O Umbral foi muito bem retratado, nas melhores e mais arrepiantes descrições de André Luiz. Ponto pacífico também para a maquiagem e as feridas, que são super-realistas. Aqui, porém, há um detalhe: Falta paixão!
Praticamente, todos os personagens de Nosso Lar são interpretados de forma sem graça. Há um exagero do estado contemplativo, mesmo diante de conflitos graves da própria consciência; o filme usa e abusa das “caras de paisagem”.
Neste quesito, fica deslocado da emoção que transmite o livro. Mesmo os grandes atores não conseguem re-alocar este eixo, exceção para Emmanuel, que aparece de forma “viva” no filme.
Aqui, um detalhe curioso: Emmanuel está no filme! O espanto? Sim. Emmanuel não aparece na história de Nosso Lar. O filme apresenta Emmanuel e há um detalhe, que deixo na incerteza, coloca-o como um dos 72 Ministros de Nosso Lar? – Quem conhece o livro sabe que Emmanuel fez apenas uma breve apresentação de André Luiz, logo na introdução, não é personagem da história.
O filme Nosso Lar, assim, é caracterizado por “enxertias” que modificam parte da sua história. Acima falamos de Emmanuel, pois bem. Emmanuel não só é um dos personagens principais como há uma cena em que ele promove uma de suas obras (famosa no Movimento Espírita) e não houve como eu deixar de ver isto como oportunismo comercial...
Além disso, frases de André Luiz, de outros livros, também fazem parte de alguns diálogos que deixaram a espontaneidade natural que é apresentada no livro para alguns monólogos de frases prontas. Aliás, este é um ponto que me pareceu decepcionante no filme.
Alguns diálogos riquíssimos como o “da senhora” com o Ministro Clarêncio, quando André Luiz desejava pedir para ver sua família, foram reduzidos por simples observações e frases prontas, descolorindo toda a moral encerrada nesta conversa e que poderia ser mais bem explorada para os telespectadores.
Cabe fazer uma ressalva. O filme é baseado no livro, não é o livro. Basear é tomar algo por base, por alicerce, o diretor do filme tenta preservar a história central (e isto foi feito com maestria) e acrescenta ou tira cenas que desejar. Não podemos esquecer isto.
O ator Renato Pietro (André Luiz) representa-o muito bem em seus conflitos e dúvidas. Mas, como havia dito antes, abusa do estado contemplativo em detrimento da emoção escancarada e humana “too human” em que André Luiz se descreve e se despe.
Nosso Lar cumpre seu papel. O filme deixa claro – e este é seu ponto forte – a importância da vida. Não é em tom melancólico, é em tom esperançoso, que refaz, dá novo ânimo. Conseguiu registrar a grandeza de Nosso Lar, dentro dos limites orçamentários, a ponto de não deixar nada de fora.
Nosso Lar ataca fundo nos valores morais e seu conflito com a matéria. Retrata bem o orgulho, o egoísmo, a esperança, doçura, felicidade, a esperança. É um filme para refletir, chorar e pensar.
Confesso que não chorei, mas engoli seco várias vezes e marejei os olhos quando ele se despede da servidora da casa, quem não assistiu, que fique curioso...
Jamais assisti a um filme em tão completo silêncio, quebrado só pelos soluços e pelo nariz entupido, de tanto chorar. A impressão que me dava era que as pessoas estavam lá como numa reunião espírita, ávidas por observar, escutar, compreender e se emocionar.
Se você não leu o livro, vai sentir vontade de ler. Se já leu, vai sentir vontade de ouvir a rádio novela e certamente sentirá vontade de conhecer os demais livros do Espírito.